Mon 18 Aug 2008
AVALIAÇÃO: TURMA DA MÔNICA JOVEM NÚMERO 1 (CÉUBOY!)
Posted by FritadorDePastel under Avaliações, Quadrinhos
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Acabo de comprar a primeira edição da revista em quadrinhos Turma da Mônica Jovem, a tentativa (meio tardia) de dar um novo gás ao visual e às histórias dos personagens de Mauricio de Sousa.
O número de lançamento tem 120 páginas ao preço promocional de R$5,90. No próximo, se nada mudar, ele deverá subir para R$6,40.
(Para se ter uma idéia, Naruto tem cerca de 200 páginas e sai por R$9,90).
A capa é bacana mas nada promissora.
Nela já podemos notar que o estilo dos desenhos não mudou nada em relação ao que estamos acostumados a ver nas revistas de linha da turminha, a não ser pelos olhos dos personagens, mais brilhantes e menores.
Há também duas referências (pouco empolgantes) a elementos comuns aos mangás e animes: um robô (gigante?) e uma mulher com cara de vilã restolha dos Cavaleiros do Zodíaco.
Para se ter uma idéia de como tudo será muito familiar, até mesmo a ordem de leitura da revistinha é normal. Nada de começar pelo fim, nada de balões invertidos. Um aviso na última página chega a avisar que, ainda que a revista seja em estilo mangá, é em estilo Turma da Mônica, portanto…
Se você leu a mini-série da Tina e os Caçadores de Enigmas, lançada no ano passado, já terá uma boa idéia do conteúdo de Turma da Mônica Jovem.
Nesta primeira edição, somos apresentados aos quatro personagens principais logo na introdução. A Mônica continua dentuça, mas nada da antiga gordinha, nem baixinha. A Magali ainda é fominha mas num estilo geração saúde, preocupada em estar em forma e em praticar esportes. O Cascão virou um esportista radical que…toma banho, ainda que eventualmente.
Já o Cebolinha… caramba, acho que conseguiram matar a graça do meu antigo favorito.
Agora ele é cabeludo, trata seu problema de dislalia (trocar os “erres” pelos “eles”), não trama mais contra a Mônica (na verdade praticamente assumiu sua queda pela outrora baixinha) e seus planos infalíveis, ainda não abordados nesta primeira edição, são focados em… tornar o planeta um lugar melhor.
Ah, sim: e nada de Cebolinha. Agora ele prefere ser chamado de Cebola.
Nessa hora eu até poderia já ter fechado a revista e partido para o jornal de domingo, mas resolvi ir até o fim e matar minha curiosidade mórbida em relação àquele material. Estava curioso em saber até onde eles foram com esse lance de “em estilo mangá”.


Os personagens que aparecem nesta edição de lançamento são: os pais da Mônica, Cebolinha, Cascão e Magali (com poucas ou nenhuma diferença em relação aos originais), Aveia e Mingau (os gatos da Magali), Maria Cebolinha (irmã do Cebola), Marina (a “desenhista” da turma), Franjinha (agora, Franja), Louco (agora “professor Licurgo”), Anjinho (ou Céuboy) e Capitão Feio (ou “Poeira Negra”, seu novo…nome).
A história, que continua no número dois, chama-se “As quatro dimensões mágicas”. Posso até estar muito enganado, mas pelo que deu pra sacar da trama, ela deverá se esticar por mais quatro edições, onde Mônica, Cebolinha e os demais deverão caçar artefatos mágicos (nas tais dimensões) para impedir que a vilã Yuka domine o mundo.
O que me incomoda mais nessa nova encarnação da Mônica é o conceito de “mangá” que domina cada página da revista. É como se misturar elementos japoneses, colocar olhos expressivos, um traço mais “moderninho” e utilizar recursos visuais exagerados fosse o suficiente para se tascar um “em estilo mangá” na capa.
A proposta, além de meio furada, ainda usa a mesma receita utilizada nas revistas da turminha. O traço não foge ao que estamos acostumados. Os personagens, ainda que tenham ficado ainda mais insuportavelmente politicamente corretos, agem de forma igual às encarnações infantis. E, para piorar, o espaço das páginas é muito mal aproveitado.
Afinal, me expliquem: para que abrir a história com uma página dupla da Mônica ACORDANDO?
Se é levemente inspirado, mas muito levemente inspirado MESMO em mangá, esse material poderia muito bem ser apenas um especial. Agora, se fosse para assumir o estilo, numa série regular, que fosse o pacote completo, pelo menos.
A capa diz “aconselhável para maiores de 10 anos”. Agora, me digam: peguem Naruto e Dragon Ball. Será que menores de 10 anos não lêem esses materiais? Já vi crianças bem menores com esses mangás nas mãos.
Provavelmente lêem, conhecem o anime, jogam os games, compram a memorabilia, possuem um blog sobre o assunto, baixam episódios, freqüentam fóruns de discussão e ainda encontram tempo para, até mesmo, fazer o cosplay do Goku.
A única coisa que me ocorre lendo Turma da Mônica Jovem, é que os Estúdios Mauricio de Sousa estejam querendo abraçar uma fatia maior do mercado – a dos leitores de mangás.
Mas, me digam: como fazer isso com um material desses?
Não é mangá, diz ser em estilo mangá, não capta exatamente o estilo mangá, se diz “em estilo Turma da Mônica… mas então, o que pensar? Que é a mesma coisa de sempre!
Anjinho virou Céuboy, usa um sobretudo horrível e ajuda um professor a procurar artefatos místicos. Sejamos realistas: será que uma criança consegue engolir isso? Céuboy? CÉU-BOY???
Capitão Feio, agora com cara de galã genérico, jeito de figurante e manobrando “monstros de poeira?
Os pais de Mônica, Cebolinha, Cascão e Magali…descendentes de guerreiros JAPONESES do período EDO???
E, encerrando: Turma da Mônica partindo para “dimensões mágicas”, no melhor estilo “Power Rangers”???
É demais. Estou curioso em saber qual será a repercussão dessa série em estilo mangá, tanto entre os fãs habituais da turminha (com certeza o VERDADEIRO e ÚNICO público-alvo da empreitada) quanto entre os desavisados e curiosos que conhecem mangás e resolveram comprar o primeiro número para saber o resultado.
Não sou contra mudanças, nem experimentações. Mas erraram feio dessa vez. A idéia até era boa, mas faltou uma execução mais criativa e interessante. Do jeito que saiu, o único elemento realmente curioso ali é o logo em vermelho com os dizeres “em estilo mangá”.
Maledeta hora em que o universo da Turma da Mônica enveredou pelo mundo do politicamente correto… fico imaginando como seria se estes personagens fossem criados HOJE.
Será que teriam alguma chance? Não creio.
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